Febre amarela: secretários da Saúde do RS e de Porto Alegre reforçam importância da vacinação

Apesar de considerar que o Rio Grande do Sul está com um bom índice de cobertura contra a febre amarela, abrangendo cerca de 70% dos habitantes, a Secretaria da Saúde do Estado quer ampliar a imunização. Com a preocupação de que a doença chegue ao território gaúcho, após o aumento de casos em São PauloRio de Janeiro e Minas Gerais, a pasta passou a indicar que boa parte da população pode procurar postos de saúde para receber a vacina. A meta é chegar a 90% de imunização.

Para isso, o governo passou, no início do ano, a recomendar a vacinação contra a febre amarela em todo o Estado – antes, 34 municípios do Litoral não contavam com essa recomendação. O secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis, informa que a prioridade é para quem vai viajar para áreas de risco ou mora em áreas com floresta por perto. 

— Não é preciso correria. Estamos dizendo que a maioria das pessoas pode se vacinar, mas não temos nenhum caso de febre amarela no Estado. Ainda assim, sempre temos que estar preparados — garante Gabbardo.

Erno Harzheim, secretário municipal da saúde de Porto Alegre, considera "excelente" a cobertura vacinal na cidade: metade da população (778.748 pessoas) está protegida contra a doença, de acordo com os registros disponíveis a partir de 2009. O número deve ser ainda maior, aponta o secretário, pois quem tomou a dose antes dessa data não foi contabilizado. Até esta terça-feira (23), 12.148 indivíduos receberam a vacina em janeiro na Capital, contra 9 mil doses aplicadas no mesmo mês de 2017 – um aumento de aproximadamente 35%, considerando-se que o mês atual ainda não chegou ao fim. Os dados à disposição das autoridades de saúde são atualizados de hora em hora, através do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização. 

Uma atenção maior está sendo dispensada a populações residentes em zonas limítrofes com áreas silvestres, em bairros como Restinga, Morro Santana, Lami e Belém Novo. De acordo com Harzheim, não há motivo para que os habitantes dessas regiões entrem em pânico. Da mesma forma, a Secretaria da Saúde do Estado informa que "boa parte dos municípios" está em situação parecida com a da Capital. O que será feito, nesses locais, é a intensificação dos serviços de informação à população e de vacinação. 

— Sempre destinamos maiores esforços para áreas que podem representar risco maior. Não representam ainda, mas estamos nos antecipando ao risco — explica Harzheim. 

O secretário municipal reforça que só deve se vacinar quem vai viajar para os Estados onde foram registrados surtos da enfermidade e países que exigem a dose ou onde há risco de transmissão da doença.

Porto Alegre tem 140 unidades de saúde aptas a aplicar a vacina contra a febre amarela – na manhã desta quarta-feira (24), 14 delas estavam fechadas, devido a reformas ou manutenção das câmaras de armazenamento das doses (Sarandi, Jardim Leopoldina, Vila Jardim, Centro de Extensão da PUCRS, Vila Pinto, Mato Sampaio, Laranjeiras, Pavão, Núcleo Esperança, Bananeiras, Santa Tereza, Divisa, Morro dos Sargentos e Campo Novo). Os endereços, telefones e horários de atendimento das unidades podem ser consultados em aqui

O Ministério da Saúde atualizou na terça-feira (23) as informações sobre a situação da febre amarela no país. Entre 1º de julho do ano passado e 23 de janeiro, foram confirmados 130 casos de febre amarela no Brasil, sendo que 53 vieram a óbito. Ao todo, foram notificados 601 casos suspeitos: 162 permanecem em investigação e 309 foram descartados. São Paulo é o Estado com maior número de casos confirmados (61), seguido de Minas Gerais (50), Rio de Janeiro (18) e Distrito Federal (1). Em número de mortes, Minas Gerais é onde há o maior número de registros, 24, seguido por São Paulo (21), Rio de Janeiro (7) e Distrito Federal (1).

De julho de 2016 até 23 janeiro de 2017, foram 397 casos confirmados e 131 óbitos.

"Embora a área exposta este ano seja muito maior e abarque grandes cidades com maior concentração populacional do que no ano passado, esses números demonstram que a situação deste ano é muito mais controlada, se comparada ao ano passado", explicou, em nota, o ministro da Saúde, Ricardo Barros.